Consolidação

 Acho que agora sim está razoavelmente estável (o que não diz muito) o fundamento das regras de campanha. Está em Procedimentos e Classes.

Margem alta do Canal Vermelho

O ano zero do calendário de Sintra marca o grande terremoto que principiou o declínio imperial na região. O Marquês de Bergadão é um dos antigos aventureiros que se apossou de um centro urbano perdido pelo Palácio Roxo.

 

A casa dos corpos de Fidel

Fidel amava Carla e posto que Carla amava Fidel o casamento aos dois bem serviu.

E pouco se sabe de como viviam enquanto bem viviam e nada pedia registro, mas logo tão cedo tiveram de si pela peste tirado o dote.

Tomada pela doença morreu Carla, que fora depressiva desde imatura. Agravou-se e matou-se enforcada onde depois veio a sala da angústia.

Então Fidel tornou-se podre e suas tramas pôs-se a fazer para trazê-la de volta, sabendo o senhor que lamúrias aos santos não buscam no éter a alma podre dos suicidas.

Dizem que o velho curado no ódio até hoje busca no mundo das almas. Dizem que molda para sempre a sua grande casa dos corpos.

Movimentação e unidades de medida

Venho pensando há alguns dias sobre a melhor maneira para arbitrar movimentação de personagens, tanto em turnos de exploração quanto em rodadas de combate. Diversas formas são oferecidas em diferentes edições de D&D e outros RPGS, e apesar da variedade de opções, algo que não deixa de turvar minha noção de distância é o uso de pés como unidade de medida nas edições em inglês do jogo.

A facilidade de utilizar pés como unidade de medida é a segmentação do movimento em blocos de 5 pés (em geral, totalizando 30 pés). Masmorras podem ser mapeadas numa escala de 1:10 pés. 120 pés por turno? Simples, 12 quadrados num destes mapas.

O problema é que qualquer fuga deste trabalho de meramente organizativo de ladrilhos é extremamente tortuosa para o usuário médio do sistema métrico.

Nas edições traduzidas do jogo, então, em geral converte-se 5 pés em 1,5 metros. Um personagem de movimentação média 30 pés teria 9 metros para percorrer em uma rodada, ou 6 quadrados.

A concatenação de unidades pode parecer levemente menos acessível quando usamos metros, em função, ao menos ao meu ver, da presença de casas decimais, e pela evidente maior facilidade de se somar cincos versus trêses(?). Apesar destas questões, vale o esforço, visto que o uso do metros nos facilita a verdadeira compreensão do espaço no momentos em que cálculos de distância se fazem mais abstraídos.

Por um bom tempo martelei estes valores na minha cabeça: agora que o padrão de soma se tornou razoavelmente compreensível (1,5 | 3 | 4,5 | 6 | 7,5 | 9) e consegui me livrar de uma terrível confusão resultante da mistura das regras de movimento de AD&D 2e e B/X, tenho mais convicção na contagem decimal possibilitada pelo uso de metros.

Para finalizar, resta apenas aditar o padrão 1,5m unitário às taxas de movimentação encontradas em B20. Com isso temos movimento por turno (movimento por rodada):

  • Sem armadura: 36m (12m)
  • Arm. de couro: 27m (9m)
  • Arm. de metal: 18m (6m)
  • Metal, tesouro: 9m (3m)

ou:

  • Sem armadura: 12 quadrados de 3m (8 de 1,5m)
  • Arm. de couro: 9 quadrados de 3m (6 de 1,5m)
  • Arm. de metal: 6 quadrados de 3m (4 de 1,5m)
  • Metal, tesouro: 3 quadrados de 3m (2 de 1,5m)

Memorando os heróis do Forte das Fronteiras

A partir do momento em que primeiro contactei a noção do jogo de interpretar papéis, muito tempo passou-se até que eu pudesse de fato mestrar uma campanha significativa, uma que superasse infantis experimentações com arbitragem.

Estes oito anos delimitados entre fascinação com o gênero e contato  concreto com a mesa foram bastantes para que eu pudesse, aliás, escrever Everotum, meu primeiro sistema. O livreto tem cerca de cinquenta páginas de conteúdo, entre informações para personagens, feitiços, procedimentos de jogo e bestiário. Vale ressaltar que tendo sido escrito muito antes de eu ter sequer jogado RPG, o sistema é em tudo inutilizável. Gabriel Pongelupe chegou a desistir de me apoiar nos testes, frustrado. Justo.

Foi em 2020, durante a pandemia, que consegui juntar o pessoal necessário para jogar meu jogo no Forte das Fronteiras, meu Keep on the Borderlands. Éramos inicialmente cinco, à distância.

Hoje me impressiona que tenhamos conseguido, jogando pela primeira vez, uma aventura tão longa: vinte e oito sessões semanais. Depois desta mesa, foi por um período bastante difícil ultrapassar as três ou quatro.

Foi este jogo, interessantemente resiliente e especial por ter sido o primeiro, que possibilitou desenvolvimento das minhas noções práticas, e, curiosamente, logo em seu início abandonamos o sistema B/X, que hoje voltei a priorizar.

Foram quatro jogadores a príncipio e mais tarde cinco; este grupo desbandou depois de uma sequela natimorta da aventura. Apesar (e sobretudo em razão) do fim trágico, não poderíamos em boa consciência deixar de saudar os sete heróis do Forte das Fronteiras, os que impediram Balthazar, de Carrilha, de abrir um caminho ao inferno:

  • Deon, clérigo de primeiro nível;
  • Elanor, druida de primeiro nível;
  • Erkin, ladra de segundo nível;
  • Ronald Golias, mago de terceiro nível;
  • Saelethil, elfo de segundo nível;
  • Silkra, lutadora de terceiro nível;
  • Varya, clériga de terceiro nível.

  Viva! e Bree Yark!

Inauguração!

É tarde demais para que eu possa fazer uma grande postagem inaugural então devo me ater ao básico.

Já há algum tempo me vem à mente com regularidade e como um grande infortúnio a ausência em minha vida atual de um projeto compilador de ideias, tão bem incorporável neste ultrapassado formato. Para me adequar à biosfera da OSR e esperando ter nesta crípta esquecida algum sossego, decidi registrar um blog próprio.

O objetivo é que a página seja um apanhado geral de material de campanha.

Até.